terça-feira, julho 11

330. Politicagens, futebol e metrô

Quando inauguraram a estação Itaquera do metrô, logo se caiu num problema: a estação ficava – e continua a estar – no meio dum descampado, onde a Urbe eximiu-se de invadir, cercado de casas e prédios por três lados e pelos derradeiros prédios da Cohab I de outro. Tanto como outras estações do metrô do lado Leste que têm nomes um pouco fora de contexto – como a Penha e o Carrão – Itaquera estava fora de Itaquera. Um pouco depois da inauguração, o Metrô optou por trocar o nome da estação e, como em breve – o que demorou ainda uns bons anos para acontecer – se faria ali, nas proximidades, o centro de treinamento do Corinthians, rebatizou-se a estação de «Corinthians-Itaquera». Justo, agora o nome parece mais coerente.

Porém, duns tempos para cá, parece-me que a inveja dos outros times – ou o esforço politiqueiro de agradar a todos com paliativos e asneiras – outras estações, como nomes já tradicionais e consagrados, tiveram seus nomes alterados. Uma delas que, por ironia, ainda é um buraco, ou seja, será uma estação em 2008 – se o engasgo das PPPs estiver resolvido até lá – a Morumbi da linha 4, já teve um decreto publicado no Diário Oficial do Estado mudando sua nomenclatura para «São Paulo-Morumbi», em alusão ao São Paulo Futebol Clube. Ao menos esta estação teve seu nome alterado antes da sua existência física, o que não trará confusão alguma.

Os casos mais absurdos são dois: o da estação Barra Funda da linha três (que tem quase 20 anos de existência) e da estação Tietê (30 anos). A primeira foi nomeada para Palmeiras-Barra Funda, por causa duma ínfima proximidade com as instalações do clube desportivo e a segunda, que fica junto e compartilha o nome com o maior terminal rodoviário da cidade, mudou-se seu nome para «Tietê-Portuguesa», pela proximidade visual com o estádio da Portuguesa, no Canindé.

Espero que a moda não pegue, pois volta-e-meia, aos gostos políticos, ou por agrados a alguns clãs, mudam-se nomes tradicionais de logradouros e equipamentos públicos. Caso notório e barulhento é a mudança do nome do túnel 9 de julho, que celebra a data da Revolução Constitucionalista de 1932 para o nome dum médico, fundador do Hospital Sírio-Libanês. Perdão ao falecido doutor, que lhe guardem as pompas fúnebres e as graças de deus, mas é injusto, por parte da Prefeitura trocar a data de um acontecimento tão importante para um povo e para a nossa terra, por o de um médico; não desmerecendo o doutor.

Ou o caso do Viaduto Conselheiro Carrão, ligação da avenida de mesmo nome ao lado norte da rua Antônio de Barros, sobre a linha 3 do metrô e as duas linhas da CPTM que ali passam. O viaduto agora traz um outro nome, acho que é Antônio Abdo. Nada contra o Antônio Abdo – que desconheço absolutamente quem tenha sido, ou sua importância – mas acredito que não deva se sobrepor ao nome do Conselheiro Carrão, Conselheiro do Império, Senador e presidente da Província de São Paulo.

A nossa parca e débil memória deveria ser mais respeitada.

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