terça-feira, dezembro 20

234. Música para Paranapiacaba

(vista de Paranapiacaba desde o Bairro Alto)

Póvoa branca

Pendurada num barranco
dorme minha póvoa branca
sob um céu que por causa
de não ter visto nunca o mar,
esqueceu-se de chorar.

Por suas vielas de pó e pedra
por não passar, nem passou a guerra.
Só o olvido…
caminha lento contornando o canavial
onde não cresce uma flor
nem atravessa um pastor.

O sacristão viu
fazer-se velho o cura.
O cura viu ao cabo
e o cabo ao sacristão.
E minha póvoa depois
viu morrer todos os três…

E me pergunto por quê nascerá gente
se nascer ou morrer é indiferente.

Da sega à semeadura
vive-se na taverna.
As comadres murmuram
sua história no umbral
de suas casas de cal.

E as meninas fazem passamanerias
buscando, ocultas atrás das cortinas,
a esse homem jovem
que, de noite em noite, forjaram em sua mente.
Forte pra ser seu senhor.
Tenro para o amor…

Elas sonham com ele,
e ele com ir-se para longe
de sua póvoa. E os velhos
sonham em morrer em paz,
e morrer por morrer,
querem morrer a o sol.

A boca aberta no calor, como lagartos.
Meio escondidos sob um sombreiro de sisal.

Fugi gente tenra,
que esta terra está enferma,
e não esperes amanhã
o que não te deu ontem,
que não há nada o que fazer.

Pega tua mula, tua mulher e o teu arreio.
Segue o caminho do povo hebreu
e busca uma outra lua.
Talvez amanhã sorria a fortuna.
E se te vem de chorar
é melhor de frente ao mar.

Se eu pudesse unir-me
a uma revoada de pombos
e atravessando a pequenas alturas
deixar a póvoa pra trás
juro pelo que fui
que me iria daqui…

Porém os mortos estão em cativeiro
e não nos deixam sair do cemitério.

Joan Manuel Serrat (letra e música, álbum Mediterráneo, 1971)

Se você tem Multiply (um tipo de Orkut), o áudio está disponível aqui.

Pueblo blanco

Colgado de un barranco
duerme mi pueblo blanco
bajo un cielo que, a fuerza
de no ver nunca el mar,
se olvidó de llorar.

Por sus callejas de polvo y piedra
por no pasar, ni pasó la guerra.
Sólo el olvido...
camina lento bordeando la cañada
donde no crece una flor
ni trashuma un pastor.

El sacristán ha visto
hacerse viejo al cura.
El cura ha visto al cabo
y el cabo al sacristán.
Y mi pueblo después
vio morir a los tres...

Y me pregunto por qué nacerá gente
si nacer o morir es indiferente.

De la siega a la siembra
se vive en la taberna.
Las comadres murmuran
su historia en el umbral
de sus casas de cal.

Y las muchachas hacen bolillos
buscando, ocultas tras los visillos,
a ese hombre joven
que, noche a noche, forjaron en su mente.
Fuerte pa' ser su señor.
Tierno para el amor...

Ellas sueñan con él,
y él con irse muy lejos
de su pueblo. Y los viejos
sueñan morirse en paz,
y morir por morir,
quieren morirse al sol.

La boca abierta al calor, como lagartos.
Medio ocultos tras un sombrero de esparto.

Escapad gente tierna,
que esta tierra está enferma,
y no esperes mañana
lo que no te dio ayer,
que no hay nada que hacer.

Toma tu mula, tu hembra y tu arreo.
Sigue el camino del pueblo hebreo
y busca otra luna.
Tal vez mañana sonría la fortuna.
Y si te toca llorar
es mejor frente al mar.

Si yo pudiera unirme
a un vuelo de palomas,
y atravesando lomas
dejar mi pueblo atrás,
juro por lo que fui
que me iría de aquí...

Pero los muertos están en cautiverio
y no nos dejan salir del cementerio.

1 Comentários:

Blogger José Américo de Melo disse...

Caríssimo contino: a foto está assustadora. Comala na Serra do Mar, eu hein. Acompanhas o resto da corte hoje ao Espírito, presumo e desejo.

terça-feira, dezembro 20, 2005 12:42:00 da tarde  

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