quarta-feira, novembro 23

222. O sul também existe

Como alguns já devem ter reparado, a minha inspiração - ou qualquer outra coisa similar - está um pouco em baixa; então, só para que não fiquemos sem nada, vos dedico uma outra tradução de outra música do Serrat, música inclusive, caso eu rodasse um dia um filme sobre a Cidade de São Paulo, eu usaria na abertura, traduzida, mas com o mesmo instrumental. A música pertence ao álbum de mesmo nome, lançado em 1985.
Também faço a indicação de um dos mais completos dicionários de língua espanhola: nada mais, nada menos que o notório e completíssimo Diccionário de la Real Académia Española, na sua versão virtal.

(letra de Mário Benedetti e música de J. M. Serrat) - original abaixo.

Com seu cerimonial de aço
suas grandes chaminés
seus sábios clandestinos
seus discursos grandiloqüentes
seu firmamento de néon
suas vendas natalinas
seu culto de Deus-Pai
e dos galardões
com suas chaves do reino
o Norte é quem ordena

mas aqui embaixo, embaixo,
a fome disponível
recorre ao fruto amargo
do que outros decidem
enquanto o tempo passa
e passam os desfiles
e se fazem outras coisas
que o Norte não proíbe.
Com a sua esperança dura
o Sul também existe.

Com seus predicadores
seus gases que envenenam
sua Escola de Chicago
seus donos de fazenda
com seus trapos de luxo
e seu pobre esqueleto.
Suas defesas bem gastas
seus gastos de defesa.
Com o seu gesto invasor
o Norte é quem ordena.

Mas aqui embaixo, embaixo,
cada um bem escondido
há homens e mulheres
que já não sabem o que colher
aproveitando o sol
e também os eclipses
separando o inútil
e usando o que serve.
Com sua fé veterana
o Sul também existe.

Com seu corno francês
e sua Academia Sueca
seu molho americano
e suas chaves inglesas
com todos os seus mísseis
e suas enciclopédias
sua guerra de galáxias
e sua sanha opulenta
com todos os seus lauréis
o Norte é quem manda.

Mas aqui embaixo, embaixo
perto das raízes,
é onde a memória
nenhuma lembrança omite
e há uns que desmorrem
e há uns que desvivem
e assim todos conseguem
o que era impossível
que todo o mundo saiba
que o Sul,
que o Sul também existe.

El sur tambiém existe

Con su ritual de acero
sus grandes chimeneas
sus sabios clandestinos
su canto de sirena
sus cielos de neón
sus ventas navideñas
su culto de Dios Padre
y de las charreteras
con sus llaves del reino
el Norte es el que ordena

pero aquí abajo, abajo
el hambre disponible
recurre al fruto amargo
de lo que otros deciden
mientras el tiempo pasa
y pasan los desfiles
y se hacen otras cosas
que el Norte no prohibe.
Con su esperanza dura
el Sur también existe.

Con sus predicadores
sus gases que envenenan
su escuela de Chicago
sus dueños de la tierra
con sus trapos de lujo
y su pobre osamenta
sus defensas gastadas
sus gastos de defensa.
Con su gesta invasora
el Norte es el que ordena.

Pero aquí abajo, abajo
cada uno en su escondite
hay hombres y mujeres
que saben a qué asirse
aprovechando el sol
y también los eclipses
apartando lo inútil
y usando lo que sirve.
Con su fe veterana
el Sur también existe.

Con su corno francés
y su academia sueca
su salsa americana
y sus llaves inglesas
con todos sus misiles
y sus enciclopedias
su guerra de galaxias
y su saña opulenta
con todos sus laureles
el Norte es el que ordena.

Pero aquí abajo, abajo
cerca de las raíces
es donde la memoria
ningún recuerdo omite
y hay quienes se desmueren
y hay quienes se desviven
y así entre todos logran
lo que era un imposible
que todo el mundo sepa
que el Sur,
que el Sur también existe.

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