quarta-feira, maio 17

309. Paúra


Sim, é um italianismo cujo significado até então era somente uma definição de dicionário, equivalente ao límpido português medo. A imagem de ônibus incendiados e vidros quebrados e aços retorcidos por disparos, dá paúra; todas as preocupações quotidianas dão espaço à incerteza angusta e ao vazio de futuro que é o medo. Senti tudo isso ouvindo a Polícia a correr pelas ruas desertas o o facho do helicóptero iluminando a fachada dos prédios. Agora os paulistas têm um facto a mais para se orgulhar: 15 de maio de 2006, a Kristallnacht paulista. E se paura fa 90, segunda-feira, foi a 180.

5 Comentários:

Blogger danieli disse...

você já deve ter topado com alguém falando que "não tinha razão nenhuma pra pânico", que "o alvo era a polícia, não a gente", que "a gente fez exatamente o que os bandidos queriam", etc, etc, etc.


eu quero que essa gente se dane. parabéns ao pcc, eles fizeram um excelente trabalho ao provocar o pânico. mas também não foi sem ajuda da polícia paulista, com seus helicópteros voando baixo, parando o trânsito e revistando civis, da secretaria de segurança pública e seu "excelente" domínio de estratégia e inteligência, e do senhor governador, recusando ajuda externa.

eu fiquei apavorada e vou continuar no cagaço se acontecer de novo. antes covarde e viva.

quarta-feira, maio 17, 2006 10:23:00 da manhã  
Anonymous Sissi disse...

pois é querido amigo. pior é ouvir das pessoas que não estava acontecendo nada, que era tudo bobagem.

quarta-feira, maio 17, 2006 11:52:00 da manhã  
Blogger Cicero disse...

É Sérgio, o negócio foi feio, mas como a Júlia havia comentado comigo no dia, isso era algo bastante previsível. De qualquer forma, uma hora a bomba iria estourar. Só fiquei um pouco espantado (e irritado, apesar de compreender)com a histeria coletiva que acometeu as pessoas. Tinha gente tendo crise de choro nos corredores da Universidade às 14h00. Outra coisa que me deixou meio bravo foi a postura da Universidade. Não acho que ela devia fechar as portas. Acho que, pelo contrário, deveria abri-las para discutir toda essa situação, já que a sociedade civil não o fez de maneira coerente. Acho que devemos lembrar que nessa história fica difícil saber quem são os algozes e quem são as vítimas. Óbvio que líderes do PCC não são modelos de seres humanos, mas para eles se tornarem o que são hoje, nós (sim, NÓS - e não se trata de um plural majestático) tivemos que "fechar os olhos", negligenciar ou fazer vistas grossas à toda essa exclusão em nosso país.
Enfim, nada mais do que minhas angústias...
Medo dói.

quarta-feira, maio 17, 2006 10:26:00 da tarde  
Anonymous camila disse...

Apoiado, Cícero... Com certeza uma hora iria acontecer... Mas São Paulo nunca quis ver isso tudo... Sempre olhou para o Rio e criticou... "Lá é que o crime organiado é real, aqui não é tanto". Esse era o discurso.

Falta uma postura da Universidade, dos professores (uma professora deu a aula toda e nem tocou no assunto, como se nada tivesse acontecido... acredita?) e nossa também.

Como dizem: "quando a água bate na bunda"... Aí nos preocupamos relmente.

Sérgio... Como dissemos... Parece que tudo que era de absoluta importância perde o sentido num momento desses.

"Mas tudo está sobre o controle" Não é?

Mil beijos. Se cuida.

quinta-feira, maio 18, 2006 3:45:00 da tarde  
Blogger Sergi-Domenech Ferrer i Vernau disse...

Danieli,

Havia e não havia motivos para pânico. Acredito que o grande problema que estamos passando, além da crise da segurança pública, é uma crise informativa. O Poder Público diz que está tudo bem, mas a imprensa, com seus repórteres e helicópteros nos mostravam (refiro-me ainda à noite de segunda) uma outra coisa. Se estivesse tudo bem, como teve a insensatez de declarar o Cde. Eclair da Polícia Militar, porque a Polícia toda na rua como foi visto? Porque tamanha a mobilização das forças de segurança?
Sim, certamente a própria Polícia colaborou para o clima de pânico com seus procedimentos «de rotina»: revistas, os vôos rasantes. É lamentável a resistência do Governo do Estado em recusar ajuda da Federação; é vaidade. A ajuda da União não é uma afronta ao princípio federativo - e convenhamos, se a situação continua assim, uma intervenção do Governo Federal não será mal vista pelos paulistas, visto que o Governo está na corda bamba. O grande problema é: o que será necessário ocorrer até que as autoridades despertem? Até lá, não dormiremos tranqüilos.

Sissi,

Um troféu de incompetência lingüística para o Governador Lembo e para o Comandante Eclair.

Cícero,

Discordo um pouco que era previsível tal estado de caos. Era notório sim que, as facções criminosas exerciam amplo poder dentro do sistema carcerário, afrontando-se contra o Estado.
O medo e o pânico são coisas que contagiam. Basta uma pessoa nervosa para que dez também o fiquem. Quanto à postura da Universidade, acredito que a discussão seja um bom caminho, mas não agora. Ninguém discute sob o fogo de metralha; infelizmente o fechamento da Faculdade foi algo que nos foi simbólico e muito. Acredito sim, que, passada essa onda, deva-se sentar e discutir - inclusive para se evitar que a «legislação do pânico», essas medidas apressadas e paliativas tome corpo.
Certo que a situação atual é o resultado de anos de negligência do Estado para com determinados setores da sociedade, mas agora é hora de agir energicamente; palavras não nos salvarão, precisamos de acções concretas para uma situação de emergência.

Camila,

Foi o que eu já disse atrás: ninguém consegue raciocinar numa hora dessas; e precisamos de acções rápidas para solucionar o estrado de exceção no qual estamos.
Não só eu (evidentemente), mas as pessoas estão acuadas. Não podemos viver desse jeito.

quinta-feira, maio 18, 2006 4:09:00 da tarde  

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